ATENDIMENTO EMERGENCIAL DE INTOXICAÇÃO POR PIRETRÓIDE EM CÃO NA CLÍNICA VETERINÁRIA DA FAI
Palavras-chave:
Intoxicação. Piretróides. Cão. Clínica Médica de Pequenos AnimaisResumo
Piretróides são praguicidas obtidos das flores de Chrysanthemum cinerariaefolium, são considerados os pesticidas mais seguros do mercado e com menor toxicidade para os mamíferos. A intoxicação em animais de pequeno porte ocorre por desinformação dos proprietários, que utilizam esses agentes tóxicos para combater ectoparasitas de seus animais. Um exemplo de piretróide disponível e muito procurado por proprietários é a Deltametrina (Butox®), administrado por pulverização. Foi atendido na Clínica Veterinária das FAI um canino, sem raça definida, macho, com aproximadamente 5 meses, pesando 4 kg. O proprietário relatou que havia aplicado um medicamento contra pulgas dentro da orelha do animal, e que após isso ele apresentou salivação intensa. O proprietário não soube dizer o nome, nem o princípio ativo do medicamento. Na anamnese, foi relatado oligofagia e sialorréia intensa, porém não houve mais alterações relevantes. A imunoprofilaxia para raiva e outras viroses, estava regularizada, como também a vermifugação. O proprietário relatou intensa presença de pulgas (Ctenocephalides canis) e carrapatos (Rhipicephalus sanguineus). Durante o exame clínico, os parâmetros vitais permaceram dentro dos valores normais. Como tratamento emergencial ambulatorial foi realizado administração por via subcutânea de sulfato de atropina (1%) na dose de 0,044 mg/kg. Antes da administração da atropina foi realizada a diluição na relação de 1:10 com solução fisiológica em função de sua concentração, a atropina reduziu a atividade das glândulas salivares, diminuindo a sialorréia. A veia cefálica foi canulada, para administração de solução fisiológica NaCl 0,9% alcalinizada por bicarbonato de sódio com concentração de 2 mEq/dia. Também foi administrado por via intravenosa, um diurético de alça (furosemida), na dose de 4 mg/kg, para auxiliar na eliminação renal do agente toxicante, até que o quadro do animal fosse restabelecido. No dia seguinte, foi feita uma reavaliação, onde, os parâmetros vitais não apresentaram alterações. A intensa sialorréia havia cessado, porém o animal ainda não estava se alimentando normalmente. Foi realizada a limpeza do ouvido, por meio da extração dos ectoparasitas com o auxílio de uma pinça. Prescreveu-se a utilização de Pulvex® pour-on (Permetrina), contendo a dose correta de acordo com o peso do animal. O tratamento estabelecido neste caso, envolvendo a alcalinização da urina foi importante para evitar que o animal entrasse em choque metabólico (acidose), além do uso de diurético que favoreceu a eliminação rápida do agente tóxico. As intoxicações, na maioria dos casos, ocorrem por desinformação dos proprietários sobre os agentes toxicantes, onde muitos desconhecem a maneira correta de utilizar os produtos, veterinários ou não. A convalescença do animal atendido na Clínica Veterinária das FAI foi devido ao rápido diagnóstico por meio do reconhecimento correto do agente toxicante, possibilitando o início do tratamento emergencial que foi fundamental para a reversão do quadro clínico do animal, favorecendo o seu prognóstico. Devido ao restabelecimento do animal, não foi necessária a utilização de outros fármacos, porém existem casos mais complexos onde o tratamento envolve outras medidas de suporte para desintoxicar o animal.Downloads
Publicado
15/07/2011
Edição
Seção
Artigos
Licença
Copyright (c) 2011 Revista OMNIA Saúde

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Como Citar
ATENDIMENTO EMERGENCIAL DE INTOXICAÇÃO POR PIRETRÓIDE EM CÃO NA CLÍNICA VETERINÁRIA DA FAI. (2011). Revista OMNIA Saúde, 5(2), 15-23. https://omnia.fai.com.br/omniasaude/article/view/38







